Tudo indica que eram os melhores comediantes da sua época, a Idade
Média. Ao contrário do que muita gente pensa, esses plebeus pagos para
entreter a nobreza e a realeza não eram loucos, nem faziam parte do time de
vítimas de deformidades físicas, como corcundas e anões, que muitas cortes adotavam
como circo particular.
"Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam
várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Eram,
principalmente, gente com talento, sabedoria e sensibilidade para divertir os
outros", afirma o historiador Nachman Falbel, da USP.
Principalmente nos séculos XIV e XV, o bobo fazia parte do
grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e
poetas. Quem melhor definiu sua posição junto aos poderosos foi o gênio do teatro inglês
William Shakespeare (1564-1616), que destacou a figura dos bobos dando a eles
papéis de grande importância em sua obra. "Em peças como Rei Lear e A
Noite de Reis, o bobo é o mais esperto dos personagens.
Ele tem licença para falar aquilo que ninguém mais ousa
dizer", diz John Milton, professor de Literatura Inglesa da USP.
A liberdade do personagem é tão grande que ele chega a
criticar os próprios reis, com comentários ácidos e que divertem o público.
"No teatro de Shakespeare, o público não ri dos bobos da
corte, ri junto com eles", afirma Milton.
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